Após uma semana enrolando, chega a hora de escrever sobre essa semana que tanto me abalou, que tanto provou minha fé e minha capacidade de superar...
A informação era: Ele foi aspirar o liquido, mas volta para mamar, ok, normal correto?
Chega 23:40, telefone do quarto toca, Marcos atende:
- Oi você pode vir fazer a internação?
- Mas já fiz, fiz de manhã.
-Não do recém nascido...
Ele sem entender nada, desce e vai ver, cismo de ir ver o Matheus no berçário, me chamam e dizem para eu ir até a semi intensiva e lá vem a bomba: Ele ficará internado, passará a noite lá, está com muita secreção e ficara sendo aspirado, fiquei lá olhando ele na incubadora, meu bebê, tão grandão, tão perfeito em uma incubadora, um local que só pensamos em bebês prematuros...
Domingo: vou logo cedo lá para a semi falar com a pediatra, foi colhido sangue e viram que tinha alterações nos exames dele, os anticorpos subiram demais o que demostrava uma infecção, foi colhido mais sangue para fazer o antibiograma que iria mostrar qual bactéria e qual a medicação, só que esse exame só fica pronto em 7 dias e enquanto isso ele iria tomando antibióticos, mas o pior estava por vir: Ele deveria ficar internado pois a medicação era intravenosa.
Estava ali decretado meu desespero, voltei ao quarto ainda sem saber como cheguei lá e só lembro de ter agarrado o Marcos e chorado....
Teria alta no dia seguinte e teria que voltar ao hospital por 1 semana, iria para casa sem meu filhotinho, como pode?Como uma mãe pode com isso? Já o tiraram de lá e agora vou ter que ficar longe dele assim??
Teria hora para visitá-lo, tempo em que poderia ficar lá e se quisesse que ele tomasse meu leite teria que tirar com bomba e deixar lá, tudo que não queria estava ali, seria longe do meu seio, em uma mamadeira possivelmente e se não tivesse leite seria formula, Meu Deus!!! Socorro!!! E o leite não vinha quase, no primeiro dia 5 ml!
Passei o dia lá, indo e vindo da semi, ficando de pé na frente da incubadora, somente sentindo ele nas minhas mãos, sem poder segurar, vendo ele com a sonda no nariz para retirar a secreção que engoliu ainda na barriga, com fios nos pés e um acesso para medicação.Ele ficava de luvinha sempre, pois tentava a todo custo tirar a sonda. Quando saia de lá ia para a sala da ordenha tentar colher leite. Lembro que no fim do dia chorava de dor da cirurgia, dor nos seios daquela bomba e dor de ver meu filhotinho lá sem mim....
Segunda-feira: logo cedo já me dão alta, chorei, disse que me sentia mal, que não queria ir embora, não deixaram, mas a enfermeira disse, fique hoje até a hora que quiser, mais que isso infelizmente os planos não cobrem...
Por sorte na segunda o pediatra retirou ele da incubadora, retirou a sonda, a aparelhagem que via os batimentos e sua oxigenação e me deu ele no colo, percebi ai que ia viver por cada momento de alegria com ele, o abracei tanto e ali novamente comecei a amamenta-lo...
Na ultima mamada do dia uma surpresa, não acordava para mamar, não acordava mesmo, tinha mamado tanto na anterior que apagou gostoso! Chegou a hora de ir embora, chegou a hora de ir pra casa sozinha, acordei chorando na madrugada
Terça-feira: De manhã acordei toda molhada, o LEITE!!!! Achava que não viria assim e de repente veio de uma vez só.
Espero ansiosamente para ir, afinal teria ajuda de minha mãe e do marido dela para ir de carro e só poderia sair após o meio dia, perderia 2 visitas, visitaria ele as 13, 16 e 19 horas, as 21 seria tarde demais e com isso não poderia ficar por lá...
Cheguei lá e o vi todo embrulhadinho em um cueiro, desesperado para sair, estava lá para não tirar o acesso que estava em sua mãozinha, o sorriso dele compensou tudo,ele mamava quase 1 hora( a visita toda), saia da visita e corria para a sala da ordenha, passava quase 1 hora lá e tirava 10 ml, poxa, depois de acordar molhada achei que viria mais! Ledo engano....
Percebo que sua fraldinha estava cheia, o normal ali que via eram as mães avisarem e pedirem as enfermeiras para trocar, eu não queria que elas fizessem, precisava aprender( até então nunca tinha trocado uma fralda!), avisei a enfermeira e perguntei se poderia trocar, ela se admirou mas foi preparar tudo e me ajudar, pela primeira vez troquei meu pequeno, tirei sua roupinha, troquei sua fralda e até limpei o umbigo( o troço pavoroso, não sei o que passava na cabeça, mas achava que ia machuca-lo), que delicia! Mais uma emoção para uma mãe nova, mais uma marca
Novamente a mamada das 16 horas é super longa e quando chega as 19 horas não quer mamar, depois de muita briga consigo que ele mame um tiquinho de nada, quando vou coloca-lo no bercinho vomita, fico assustada, trocam tudo, afinal ficou tudo molhado e novamente vomito...
A fono estava por lá e disse que gostaria de aspirá-lo por segurança, nunca vi meu bebê chorar tanto, com uma mão ele tentava afasta-la e com a outra me agarrava, como se pedisse ajuda, segurei o choro e comecei a acalma-lo, quando estava conseguindo vem uma maldita enfermeira( juro só tive raiva dessa) e diz que já acabou a visita que tenho que ir embora, tentei pedir para somente ficar ali ate ele acalmar mas não teve jeito, tive que ir embora. Como chorei, cheguei em casa chorando, não conseguia parar de chorar, fui dormir somente por volta das 4 da manhã, cai no sono pelo cansaço...
Quarta-feira: a luta persistia, mas agora saia mais leite, coisa de 60ml, comecei a não me sentir culpada por não ter o leite disponível para ele no hospital, aceitei que ele tivesse a formula, sabia que assim que chegasse em casa seria no peito somente,era somente questão de tempo.
Quinta-feira: Marcos teve que voltar a trabalhar( licença paternidade é de 5 dias, não importa que ele nasceu no sábado) , tive que ir somente com minha mãe e o Mário, era dia dos avós, dia em que poderiam visitar o Matheus na semi( bebês na uti também poderiam ter visitas), minha mãe entrou e não saia, quando saiu disse que ficou conversando com o Matheus e ele observando, o Mário entrou e assim que deram para ele segurar, Matheus dormiu! Capotou de tal maneira que as enfermeiras depois brincavam dizendo que era colo sonífero. Mais uma conversa com o pediatra, existia a possibilidade, remota, do exame sair na sexta...
Sexta-feira: Vou preparada para levar Matheus para casa( na verdade levava todo dia suas coisinhas, esperança sempre), pediatra esperou o dia todo o exame, mas infelizmente não saiu, Matheus curtia cada vez que chegava lá, sempre estava risonho e brincava muito comigo, como pode? Um recém nascido de 6 dias tinha tanta personalidade, sai naquela noite com uma certeza: Estava acabando e com isso agradeci muito as enfermeiras que sempre estiveram ali do meu lado, as do dia estavam ali todos os dias e sempre ajudaram, seja na hora de uma troca de fralda, em como posicionar ele, em duvidas e mais duvidas que tinha.
Sábado: Tentamos sair mais cedo de casa, mas o carro teve problema e só saímos por volta das 11h30, fomos almoçar e depois chegamos ao hospital, assim que chego a enfermeira chega e fala:
- Nossa to te esperando desde manhã! Achei que não queria levar o Matheus embora...
Haviam me dito que só liberavam após as 13h! Poxa, já podia estar com ele em casa! Ela foi preparar a papelada e eu fui la amamentá-lo, acho que foi a mamada mais longa da minha vida, fiquei lá curtindo ele, quando ele acabou de mamar, fiquei só aproveitando, fazendo carinho, agarrando e falando que tudo estava acabando, que chegou a hora dele ir para casa, conhecer sua casa que tudo estava preparado para ele e o aguardando.
O troquei totalmente, a roupinha escolhida para sua saída, o xale que foi feito como réplica do meu, uma vontade que tive e foi realizada...
O exame? Então, não tinha nenhuma infecção, provavelmente os anticorpos dele se prepararam para a infecção e ela não conseguiu se instalar, no fim tomou 6 dias de antibiótico a toa...
Ela terminou de preparar, pediatra veio me dizer como cuidar nos primeiros dias, quando agendar a próxima consulta e todos os detalhes e finalmente saímos, nunca me senti tão feliz quanto na hora em que vi que estávamos finalmente no hall do elevador! Ele finalmente iria para casa conosco!!!
Coloca o pequeno no bebê conforto, enrolado todinho no xale e em pouco tempo já o tiramos do xale, calor aumentou,rs.
Chegamos em casa e desabei novamente, finalmente em casa, finalmente meu filho comigo, lembro que assim que o coloquei no berço ele sorriu, sim ele sabia que agora não sairia mais de perto de mim!
Nos abraçamos e percebemos que ali começaria o grande desafio de ter um filho....