terça-feira, 14 de janeiro de 2014

High Need Babies- O que é isso????

Pessoas mais próximas, só mesmo bem próximas, já ouviram eu falando do que se trata, mas a grande maioria não sabe e além disso acha que é um problema de saúde, uma deficiência.

A primeira vez que vi sobre isso foi como páginas recomendadas no facebook, curiosa como eu só, fui lá ler e me deparei com textos que descreviam exatamente o perfil do filhotinho, mas a primeira sensação é: ele tem um problema!!! Fui ler mais e mandei a descrição do HNB (abreviação de high need babies) para o Marcos e minha mãe e os dois mesmo sem saber do que se tratava falaram que era exatamente o Theus!

Foi como se uma luz explicasse os comportamentos dele!

Olha as caracteristicas, lembrando que para ser considerado um HNB tem que ter as 12! Frisando que nenhuma característica é negativa, são apenas descritivas. Em vermelho vou colocar como é por aqui.

Explica que o bebê high need é diferente desde a gestação, sendo um exímio chutador. No caso do Theus nunca senti chute, mas mexia tanto que dava nervoso, sempre dizia que ele parecia o alien!!

1- Intensos

Eles choram alto, mamam vorazmente, gargalham com gosto e protestam com força.
Ele diz que bebês intensos viram crianças intensas que exploram e experimentam com tudo. Já sabemos disso por aqui com um bebê, imaginem quando este bebê for uma criança...
Nunca chorou muito, principalmente porque nunca deixei chorar, prefiro passar 2 horas ninando a ouvir 10 minutos de choro, mas mama constantemente, se deixar mama a cada 5 minutos, abraça muito, ri muito a ponto de cair no chão.


2 - Hiperativos

Hiperatividade como descrição e não como doença. Precisa de mais explicações? Eles parecem sempre ligados no 220V!
Vou na minha mãe e tem 3 pra cuidar dele, não demora muito e já escuto: ele não cansa?? Ele não para! Ele nunca fica parado, nem assiste um desenho, no máximo a abertura!

3 - "Drenadores"

Dr. Sears sugere que sifão seja mais acurado que dreno, pois as mães transferem suas energias para o bebê e também que uma atitude mais positiva seja melhor: ao invés de pensar em dias de esgotamento, pensar em dias de doação (numa tradução beeeem livre).
E completa com uma frase que dificilmente uma mãe de high need discordará: a necessidade aparentemente constante de colo, seio e conforto faz com que sobre pouca energia para a mãe.

E é arrebatador ao dizer:

"Haverão dias de colo incessante e sem pausas. Mas quando você sente que não consegue lidar com outro dia de doação, você toma fôlego e de repente consegue relaxar e aproveitar a personalidade única de seu bebê florecer. É como se o bebê sentisse o limite da mãe e recuasse um pouco. É provável que não existam dias de folga, mas alguns dias serão menos difíceis que outros."
Suga, cansa, tem dias que quando chega ao fim nem sei como sobrevivi!

4 - Mamam frequentemente

"Você vai aprender rapidamente que a amamentação não é somente uma fonte de nutrição, mas uma ferramenta de conforto".

As necessidades do bebê irão se intensificar durante os dias de altas necessidades e vão gravitar entre a chupeta favorita e a pessoa favorita, o que, no caso de um bebê amamentado no seio, são a mesma coisa.
"Você vai se sentir uma chupeta humana, porque você é".
Em inglês, chupeta é "pacifier", que significa "o que dá paz". Então, no final das contas, não é ruim ser aquela que traz a paz pro bebê. 
Parece que cada dia mais! Tem dias que se deixar ele passa plugado! Ando brincando que sou um avatar, cabelo azul e plugada!

5 - Demandantes

Eles não gostam de esperar e não aceitam alternativas.

Porém se ele sente que pode confiar nos cuidados dos pais, que eles vão atendê-lo, ele passa a fazer suas exigências de um modo mais socialmente aceitável.
O Dr. Sears comenta que esta será uma pessoa determinada, que luta pelos seus direitos, um líder. Diz ainda que é uma característica que os leva ao êxito e ao sucesso, pois eles levarão também os professores à exaustão, extraindo deles a ajuda e a educação de que precisam. É uma valiosa ferramenta de sucesso na vida.
Aos pais cabe a missão de ensiná-los a balancear suas necessidades e às dos outros.
Dizer não? É certeza que vai protestar incessantemente. Resolver fazer algo que tenha que deixá-lo no chão? Certeza que vai chorar, puxar, gritar...

6. Acordam frequentemente

 Fala por si só.
Resultado da telesena (ainda existe??) de hora em hora acorda, se dormir mais de 3 horas já acho estranho!

7 - Insatisfeito

"Não estar apto a satisfazer as necessidades do bebê é muito frustrante para os pais de um bebê de altas necessidades. Parece um ataque direto em suas habilidades. Afinal, um bebê contente não é a marca de uma maternidade efetiva? Errado! Haverão dias que você irá amamentar, embalar, caminhar, dirigir, vestir e tentar todas as técnicas de conforto conhecidas pelo homem ou mulher e nada irá funcionar. Não leve isso como sinal de fracasso. Você faz o melhor que pode e o resto é com o bebê. Você não falhou como mãe até mesmo se seu bebê é triste o tempo todo. Isso é simplesmente parte da personalidade dele. Enquanto isso, continue experimentando uma ferramenta de conforto após a outra, e você vai eventualmente descobrir uma que funcione - ao menos naquele dia. Então você se sentirá um gênio. Mantenha seu chapéu de detetive para achar pistas do desconforto do bebê. Constante experimentação e erro é como você irá construir suas habilidades para acalmar bebê."
Estamos nesses dias, nada o faz acalmar, aja paciencia!


8 - Imprevisível

"É frustrante descobrir que o que funcionava ontem não funciona hoje."

"Embalar, caminhar, usar sling, cantar canções de ninar, posição do ventre, de bruços, de lado, cadeirinhas, chupetas, inclinar o colchão da cama, trazê-lo pra cama, aconchegá-lo no peito ou no peito nu, banhá-lo antes da hora de dormir, garrafas de água quente enroladas em pele falsa de animal (oi?), deixá-lo acordado até a meia noite antes de começar os procedimentos para dormir, começar logo após o jantar, deixar chorar, não deixar chorar, nada pareceu funcionar. Algumas dessas coisas funcionaram por um tempo, nada funcionou o tempo todo. Isso é bastante frustrante e fará você pensar constantemente o que está fazendo de errado."

Além disso eles têm mudanças extremas de humor: quando estão felizes são os bebês mais felizes do mundo, quando estão bravos são os piores bebês do mundo.
A cada dia uma mudança, cada dia uma tentativa diferente...


9 - Super-sensíveis

Estão sempre alertas com o que está acontecendo no ambiente, sendo facilmente superestimulados ou se entediando rapidamente. Eles preferem ambientes seguros e conhecidos.

Enquanto a rotina da casa pode continuar normal com a maior parte dos bebês, com os sensíveis, o menor ruído os acorda.

Eles não aceitam cuidadores substitutos com facilidade.

"Essa sensibilidade acurada ao ambiente se torna uma recompensa quando eles crescem. Essa criança está sintonizada com o que acontece a sua volta. Eles não são crianças distantes. Essa aguçada consciência estimula sua curiosidade que, por sua vez, estimula o aprendizado. Eles se tornam crianças que se importam. Eles se incomodam com o machucado de outra criança. Desenvolvem empatia, qualidade em falta em muitos adolescentes e adultos hoje em dia. Porque essas crianças são tão sensíveis, eles desenvolvem um ótimo discernimento e são capazes de considerar os efeitos de seu comportamento nos sentimentos dos outros. São capazes de alcançar a última qualidade de auto-controle: a habilidade de pensar no que estão fazendo."
Uma simples música pode fazer ele acordar se estiver na transição do sono, tudo o destrai. Sons altos complicam, a dessensibilização é complicada mas ta resolvendo, sempre que vamos ligar algo que faz barulho aviso e chamo pra ver, senão fizer isso sai correndo procurando colo e chorando muito mesmo!

10 - "Não dá pra tirá-lo do colo"

Eles querem contato pele com pele, colo, peito e cama. Eles extraem todo contato físico que podem de seus cuidadores. Às vezes colo não é suficiente e eles querem um colinho-andante.

"Esse colo constante pode ser particularmente difícil para pais de primeira viagem que esperam ter um bebê modelo de revista, aquele que fica tranquilo em seu berço admirando o caro móbile."

Para esse bebê os braços e os corpos dos pais são seu berço, o seio da mãe é a chupeta e o colo embalado é a cadeira!

Eles são sensíveis ao ânimo do carregador, que deve estar calmo e relaxado e preferem ser carregados com cuidado e sem superestimulação.
Tenta! Normalmente se agarra de tal maneira que parece um bicho preguiça! Fora que se deixar passa o dia no colo, quando menor era colo e andando, chegava a sair de casa de carrinho e voltava com ele nos braços, senão gritava fortemente e desesperadamente! Carro é outra luta, muitas vezes implica com o cadeirão e chora até me puxando para tirar ele dali.

11 - Não se acalmam sozinhos

"Outra expectativa não realista de pais de primeira viagem é que esse bebê se acalme pra dormir com a ajuda de uma chupeta, uma caixa de música ou qualquer instrumento pra acalmar bebês. Eles são mais espertos do que isso. Eles querem interagir com pessoas e não com coisas."

"Eles precisam de ajuda para dormir. Precisam aprender a confiar na ajuda dos pais. Isso vai ajudá-los a relaxar por si próprios, uma lição que tem valor para vida. Chorar sozinho até dormir não é um bom meio de relaxamento. O melhor caminho para o bebê aprender a relaxar é ter o comportamento moldado pelo pai. Uma vez que ele aprenda a relaxar por si só, ele não terá problema em dormir sozinho quando estiver cansado."

Acho que ele quer se referir aos rituais pra dormir, porque "comportamento moldado" não é bem a praia desses bebês, que sabem muito bem o que querem!

"Querer pessoas ao invés de coisas, como chupetas, pode ser cansativo no início, mas irá trabalhar a favor da criança. Ela terá uma melhor compreensão sobre os relacionamentos interpessoais, especialmente se sentindo confortável com a qualidade da intimidade."

Dorme mamando, dormir sozinho? Só se estiver em movimento e muito mas muito cansado! E quando está relaxando ainda pede pra fazer carinho!


12 - Sensíveis à separação

A música "Only you" - somente você - pode ser o tema da maioria desses bebês. Eles não aceitam cuidadores substitutos e demoram a se afeiçoar a estranhos.
Muitas vezes não aceita nem o pai e exige atenção total, muitas vezes até pegando nosso rosto pra prestarmos atenção. E se tem mais pessoas enquanto ele mama fica provocando até a pessoa olhar e ficar brincando.

O primeiro a descrever sobre os HNB foi o Dr. Sears abaixo a experiencia dele com Hayden.
O que são “bebês high need "- a história de nossa bebê Hayden (Sears) 

Nossos três primeiros filhos eram relativamente "fáceis". Eles dormiam bem e tinha rotinas de comer bem previsíveis. Suas necessidades eram fáceis de identificar e satisfazer. Na realidade, eu comecei a suspeitar que os pais que vinham em meu consultório pediátrico reclamando de seus bebês difíceis, que choravam muito, estavam exagerando! “Por que toda essa dificuldade com bebês?”, eu me perguntava.

COMO ELA AGIA

Então veio Hayden, nosso quarto bebê, cujo nascimento mudou nossas vidas. Nossa primeira dica que ela seria diferente veio em um ou dois dias. "Ela só quer colo," se tornou a frase frequente de Martha. Amamentar para Hayden não era somente fonte de alimento, mas de conforto. Martha se tornou uma chupeta humana. Hayden não aceitaria nenhum substituto. Ela estava constantemente no colo e no peito- e essa rotina constante se tornou muito cansativa. Os choros de Hayden não eram meros pedidos, eles eram exigencias! Amigos com boas intenções sugeriam, "Simplesmente ponha-a no berço e deixe-a chorar." Aquilo não funcionou mesmo. Sua persistência extraordinária a fez continuar chorando, chorando. Seu choro não diminuiu, pelo contrário, se intensificou. E nós não respondemos. 

Hayden era excelente para nos ensinar o que precisava. "Contanto que a segurassemos, ela estaria feliz”, se tornou nosso slogan sobre como cuida-la. Se tentassemos deixa-la chorar, ela choraria mais e mais alto. Nós jogavamos o jogo ‘passe o bebê’. Quando os braços de Martha não aguentavam mais, ela vinha para os meus. 

Hayden se tornou presente sempre em meus braços, no peito e nossa cama. Se tentássemos tirar uma pausa dela, ela protestaria contra qualquer babá. O slogan da vizinhança se tornou: Todo lugar que Bill e Martha vão Hayden vai atrás. Nós a apelidamos de "Bebê Velcro." Hayden nos abriu como pessoas. A virada veio quando nós fechamos os livros sobre como criar o bebê e abrimos nossos corações a nossa filha. Ao invés de ficar na defensiva com medo de mimá-la demais, nós começamos a ouvir o que Hayden estava tentando nos dizer desde o momento que saiu do ventre: "Oi, mamãe e papai! Vocês foram abençoados com um tipo diferente de bebê, e eu preciso de cuidados diferentes. Se vocês me derem esses cuidados, tudo vai ficar bem. Mas se vocês não derem, nós estaremos em longos conflitos." Logo que descartamos nossas idéias pre-concebidas de como bebês devem ser, e aceitamos a realidade que como Hayden era, nós nos entendemos muito melhor. Hayden nos ensinou que bebês não manipulam, eles comunicam. 

COMO NOS SENTIMOS

Se Hayden fosse nossa primeira filha, nós teríamos concluído que era nossa completa culpa que ela não conseguia se confortar, porque éramos pais expirantes. Mas ela era nossa quarta filha, e dessa vez nós achávamos que sabíamos como cuidar de uma criança. Ainda assim, Hayden provocou que duvidássemos de nossas habilidades como pais. Nossa confidência foi defiando ao mesmo tempo que nossas energias se esgotando. Nossos sentimentos sobre Hayden eram tão erráticos como seu comportamento. Alguns dias éramos empatéticos e cuidadosos, outros dias estávamos exaustos, confusos e ressentidos das suas exigências constantes. Esses sentimentos confusos era estranhos para nós, especialmente após já ter criado tres outros “bebês fáceis”. Logo ficou óbvio que Hayden era um tipo diferente de bebê. Ela era “alimentada” de modo diferentes dos outros bebês. 

O QUE FIZEMOS

Nosso desafio foi descobrir como uma mãe e pai dessa pessoa única conseguiria salvar alguma energia para nossos outros 3 filhos- e para nós mesmos.
Nosso primeiro obstáculo foi superar nosso passado profissional. Nós fomos educados na década de 60 e 70, então somos vítimas do tipo de ‘parenting’ que prevalecia na época- o medo de mimar, estragar. Nós entramos no mundo da paternidade e maternidade acreditando que era obrigatório controlar nossos filhos, senão eles nos controlariam. E havia um medo terrível de ser manipulados. Nós estávamos perdendo controle? Hayden estava nos manipulando? Consultamos livros, um exercício inútil. Nenhum livro sobre criação de bebês continha um capítulo sobre Hayden. E a maioria dos autores homens ou tinham passado da idade de criação de filhos, ou pareciam muito distantes do dia-a-dia de cuidados com bebês. Ainda assim éramos dois adultos com experiência, cujas vidas estavam sendo comandandas por um bebezinho.

Um amigo nosso psicólogo que estava nos visitando comentou sobre os choros de Hayden: "Nossa, seu choro é impressionante, ela não chora de modo bravo, como se exigisse algo, mas num modo esperançoso, como se ela soubesse que ela seria ouvida." 

Hayden nos fez re-avaliar nosso trabalho como pais. Nós pensávamos que um pai ou mãe efetivos precisava estar sempre com controle da situação. Então percebemos que essa tendência era auto-derrotadora. Essa postura assume que existe um adversário na relação mãe/pai e bebê: o bebê está “determinado a te dominar”,então é melhor que eu domine primeiro. Hayden nos fez perceber que nosso papel não era de controla-la. Mas sim de cuidá-la e ajudá-la a se controlar. 

Nosso trabalho como pais não era de mudar Hayden para um clone comportamental de outro bebê. Seria errado tentar mudá-la. (Quão sem graça seria esse mundo se todos os bebês agissem igual!). Seria melhor expandir nossas expectativas e aceitá-la do jeito que ela é, não do jeito que nós queríamos que ela fosse. Nosso papel como pais era como o de um jardineiro: não podemos mudar a cor da flor ou o dia de florescer, mas podemos plantar as sementes e aparar a planta de modo a florescer lindamente. Nosso papel era ajudar no comportamento de Hayden e nutrir suas qualidades especiais, então ao invés de serem defeitos esses traços temperamentais funcionariam no futuro em sua vantagem. 

Onde ela deveria dormir? Ela acordava mais e mais, até que uma noite ela acordou de hora em hora. Martha disse, "Eu não me importo o que o livro diz, eu preciso dormir!!" Em seguida aconchegou Hayden do ladinho dela em nossa cama. Uma vez que descartamos a cena de um bebê que se auto-conforta dormindo sozinho no berço, todos nós dormimos juntos e felizes. Nós descobrimos que temos que ser seletivos nas pessoas que nos condoemos. 

Quando discutimos nossos dilemas de como criar Hayden com nossos amigos, nós nos sentimos como se ela fosse o único bebê no mundo que não conseguia se satisfazer sozinha durante o dia ou se auto-tranquilizar durante a noite. Concluimos que ninguém poderia entender um bebê como Hayden ao menos que tivessem um bebê como Hayden. Eventualmente, Martha encontrou algumas amigas que pensavam de modo semelhante e se rodeou de amigos que nos apoiavam. 

O que chamá-la? Hayden não se ajustava nas “classificações” existentes. Ela não era realmente uma bebê "inquieta, chorona", contanto que tivessemos-a no colo e atendessemos suas necessidades. "Espirituosa" era equivocado, todo mundo quer um bebê espirituoso. Ela não tinha "cólicas," porque não parecia ter dor. Nem a palavra "difícil" era realmente verdade; alguns poderiam implorar para ser diferente, mas nós achamos que segurar e ficar perto de um bebê a quem nos tornamos tão apegados não era tão difícil assim. Além disso, esses nomes eram tão negativos para essa pessoinha que parecia saber tão positivamente o que ela precisava e como obter. Não foi até muito anos depois, após conversar com dezenas de pais de bebês que também tinham uma necessidade tão grande de mamar frequentemente, de serem abraçados muito, de precisarem de muito contato humano a noite, que o termo “criança com altas necessidades” nos atingiu. Isso descreve da melhor forma esse tipo de bebê que Hayden era e o tanto de cuidado maternal/paternal que ela precisava.

No meu consultório pediatrico descobri que o termo "criança de altas necessidades" era psicologicamente correto. Quando pais totalmente exaustos chegavam no meu consultório para aconselhamento sobre seus bebês exigentes, eles já tinham recebido uma montanha de negativas: "Você dá muito colo a ela," "Deve ser seu leite," "Ela está te controlando." Todas frases tinham uma mensagem oculta de "bebê ruim e pais ruins." Eles se sentiam culpados de algum modo pelo modo que seus bebês agiam assim. Assim que eu pronunciava o diagnóstico "criança com altas necessidades," eu podia ver o alívio em suas faces. Finalmente, alguém tinha algo bom para falar do meu bebê! "Altas necessidades " soava especial, inteligente, único, e põe o foco na personalidade do bebê, aliviando pais da culpa em acreditar que seu bebê agia desse modo por causa de seu modo de ser pai ou mãe. Ainda mais, "altas necessidades" sugeria que havia algo que os pais poderiam fazer para ajudar o bebê. Ressalta a idéia de que esses bebês simplesmente precisam de mais: mais toque, mais compreensão, mais sensibilidade, mais ‘attachment parenting’. 

      O problema do controle. Hayden causou bem cedo que nós re-avaliassemos a questão do controle. Gradualmente descobrimos que uma criança não pode controlar seus pais, ou os pais controlarem a criança. Ainda assim os pais devem controlar as situações, porque quando não há limites, a vida em família é um desastre. Nós precisávamos estar no controle de Hayden, fornecer-lhe as "regras da casa" e então controlar seu ambiente de modo que não ficaria impossível para que ela cumprisse essas regras. O que nos ajudou a se livrar desse medo-de-estragar e medo-de-ser-manipulado foi perceber que era melhor errar pelo lado de ser reativo demais e responsivo demais do que de menos. Enquanto trabalhavamos desenvolvendo um equilíbrio de respostas apropriadas, haviam vezes que respondiamos muito tarde, e outras vezes que respondíamos rápido demais. Mas sentimos que na dúvida, era melhor sempre responder. Crianças que são talvez mimadas um pouco (como muitos primogênitos geralmente são), vão desenvolver uma imagem saudável e confiar em seus pais. Com essa base é mais fácil recuar um pouco enquanto tenta-se criar um balanço saudável entre as necessidades dos pais e as da criança. O filho de pais que respondem pouco desenvolvem uma imagem pobre de baixa estima, e uma distância se cria entre pais e filho. Essa situação é difícil de consertar. Eu nunca tinha ouvido pais em meu consultório pediátrico dizerem que eles desejavam que não tivessem que dar tanto colo ao bebê. Na verdade, a maioria, se pudessem voltar no tempo, teriam dado mais colo a eles. 

     Nós não estavamos preparados para a criança com opinião fortíssima que encontraríamos em Hayden. Nossos outros filhos mais velhos tinham respondido bem a dicas verbais, mas Hayden parecia não nos ouvir. Então, ao invés de repetir constantemente "não, não toque " (o que era fútil), nós a ensinamos que na casa toda existiam os pontos “sim, toque”, e “não, toque”. Nosso trabalho era fazer os locais "sim, toque" mais acessíveis a ela que os locais proibidos, então ela poderia aprender a se controlar. Hayden conseguia operar seus controles internos num ambiente que tinha ordem e estrutura em certo ponto (cada casa faz isso de modo diferente). Quando ela teve oportunidade de se comportar apropriadamente independente de infinitos nãos de nossa parte, ela começaria a ter um senso de seus próprios controles internos.

      Nossas necessidades x suas necessidades. Na metade do primeiro ano de Hayden percebemos que ser pais de um bebê de altas necessidades poderia ter um efeito "para melhor ou para pior " na relação marido-mulher. Facilmente as coisas saiam do controle. Uma criança de altas necessidades pode facilmente dominar a casa. Havia épocas em que Martha se arriscou se “queimar” de tanto se doar. Um aviso de um incêndio vindo era Martha dizendo: "Não tenho nem tempo para um banho, Hayden precisa tanto de mim." Para sanidade de Martha, e no final das contas para sanidade da família toda, eu tinha que lembra-la, "O que Hayden precisa mais é de uma mãe feliz e descansada." Não era suficiente somente orar. Além de dedicar-se intensamente na casa e com as outras crianças, eu pegaria Hayden e cuidaria dela quando podia. Eu levaria ela para um passeio assim Hayden poderia ficar longe das vistas e mente de Martha por um tempo. 

     Ter uma criança de altas necessidades nos ajudou amadurecer a comunicação um com o outro. Houve sempre o dilema "suas necessidades ou nossas necessidades ". Nós tivemos que roubar tempo para nós mesmo, percebendo que mesmo o melhores pais ou mães pode ser minado se o casamento falha. Vi quão importante era para Martha que validassem suas atitudes de mãe. Eu sempre oferecia-lhe frases como "Você sabe melhor que ninguém”, mas também quando a vi esgotando suas energias sentia que tinha que intervir e ajudar. Eu me intrigava quando é que teria minha esposa de volta, mas percebi que não poderíamos voltar essa fita. Eu era um adulto, e Hayden passaria nesse estágio somente uma vez. 

      O pagamento. Hayden cresceu de uma criança de “altas necessidades” e uma adolescente super energética, e se formou na faculdade de (adivinhe) drama. Sua vida como bebê está em nosso livro THE FUSSY BABY. Ela as vezes abre esse livro e mostra a seus amigos, "Essa sou eu." Na noite de formatura enquanto pousava para foto, parecia tão adulta em seu vestido longo. Eu murmurei a Martha, "Bebês de alta necessidade completam," e essa mulher adolescente-adulta piscou para papai. Enquanto eu a escoltava pelo corredor para seu baile de formatura, nossas mentes e corações se encheram de lembranças daquelas cenas incontáveis de cansaço dos tempos de bebê e infância. Enquanto eu entrava na igreja de braços dados com meu “Bebê chorão” para transferí-la para o homem dos seus sonhos, percebi que essa mulhere madura e talentosa iria agora doar a seu companheiro e seus filhos o estilo de cuidado que nós tínhamos lhe dado. Martha e eu olhamos um para outro e pensamos, "Foi um caminho longo e difícil, anos com esse bebê no colo, peito, em nossa cama, muitos confrontos de disciplina, e esses anos todos de paternidade e maternidade com muito apego produziram uma pessoa confiante, misericordiosa, carinhosa. Valeu a pena.”

Mudando a personalidade da criança “high need”
    As palavras que você usa para descrever seu filho mudarão conforme os anos passam, os traços que deixaram tão cansada durante a infância são canalizados em qualidades que farão seu filho um adulto interessante e dinâmico. Tente pensar de modo positivo na personalidade de seu filho. Rótulos que pareciam negativos serão traços positivos na personalidade do seu filho no futuro. 


BEBÊ
CRIANÇA
ADOLESCENTE- ADULTO
alerta
intenso
desgastante
exigente
chora impressionantemente alto
inconsolável
supersensível
ocupado
nervoso
esgotador
espirituoso
energético
teimoso
impaciente
obstinado
perspicaz
desafiador
expressivo
inclinado a birras
interessante
”abraçável”
entusiástico
profundo
apaixonado
audaz
dominador
opinião forte
determinado
persistente
compreensível
justo
sociável
misericordioso
empático
cuidadoso
carinhoso


E o que aprendi com tudo isso? Tenha paciência, um dia passa! Como minha mãe sempre fala: É tudo uma fase!


Mesmo com todo nervoso do dia, acabamos em momentos de alegria!