sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Diagnósticos e suas consequências...

Esse provavelmente será o texto mais difícil de escrever até hoje...

Depois de toda a descoberta da leitura da filhotinho, começamos a observar e ver que ele fazia muita coisa além de ler. A leitura era somente a parte exposta do iceberg.

Vimos a memória incrível, reconhecimento de mapas e caminhos, conhecimento de bandeiras, países e suas capitais. Aprendizado de qualquer coisa que o mostrávamos. Aprendia lendo, vendo vídeos e também quando explicávamos somente. Ama outras linguás, sem dificuldades.Começou o interesse por contas e agora faz contas de adição e subtração.

Mas voltemos ao ano passado, depois de descobrir que ele lia começamos a batalha para avaliar. Por ser algo caro ficamos no aguardo da prefeitura, que tem um centro de avaliação. Demos inicio em outubro e a vaga só saiu em abril, precisamente em primeiro de abril, parece até piada.

Ele passou a ir em todas as avaliações, passou por neuropsicólogo, psicomotricista, psicologo, neurologista, psicopedagogo, fonologista, fisioterapeuta,terapeuta ocupacional. Entrava sozinho nas avaliações, exceto em uma, que posso dizer que foi uma das piores sensações da minha vida.

Uma sala com fisioterapeuta, psicologa, psicomotricista e terapeuta ocupacional, começaram a me indagar de tudo, perguntas complexas, ai mandaram ele fazer uma conta, ele fez, falou o valor e ai mandaram escrever, ele não estava ainda confiante na escrita( escrevia há 1 semana) e disse que não sabia. Pediram para eu sair e pouco depois me chamaram de volta. Me acusaram de força-lo a aprender, disseram que eu estava inventando tudo que ele fazia, que era ansiosa demais. Ansiosa? Sim eu sou, mas quem não ficaria depois de 1 ano aguardando??? Obriga-lo? eu não me obrigo nem a estudar( e preciso) como fazer isso com uma criança pequena? Inventar? para que??

Quando sai, coloquei os óculos e chorei, chorei silenciosamente já que o filhote estava ao meu lado. A vontade era fugir e nunca mais voltar ali, mas precisava pelo bem dele...

O laudo demorou de maio até a ultima semana de julho para sair. Quando fui na devolutiva esperava muito, mas era uma pessoa que nunca viu meu filho lendo o laudo! Questionei o máximo que consegui, ele ficou perguntando se era da área da saúde, até agora não sei se foi por eu questionar ou pra dar carteirada. Questionei o diagnostico e ele mais uma vez não sabia explicar. Só me entregou o laudo quando estava saindo da sala, então só fui ler em casa.

Logo de cara tive que ler: Motivo da consulta: "altas habilidades" ( sic mãe)

Oi??? Mãe?? Quem deu esse diagnostico foi o neurologista que o avaliou a pedido da escola, profissional que encaminha para esse centro de triagem! Ali já fui perdendo minhas esperanças de uma avaliação real.

Pontos a ser questionados:

  • Fonologista dizendo que ele estava com a linguagem totalmente compatível com a idade, todos profissionais que o conhecem discordam
  • Pontuação do teste Columbia, que não é explicado no laudo e ninguém explica o que significa
  • Hiperlexia....
Esse ultimo preciso explicar mais! A hiperlexia seria:
  • a criança por volta dos 2 anos que aprende a ler sem ninguém explicar. Ok, isso bate 
  • a criança tem paixão por números e letras Ok ele era totalmente apaixonado
  • a criança não interage socialmente Não mesmo! ele conversa e brinca com todos
  • a criança só repete frases, não responde responde, questiona, brinca e tira sarro
  • a criança só aprende via escrita Novamente não bate, muito do conhecimento é via oral e via vídeos
  • a criança não fala quase.  Não??? eu preciso implorar para ele parar!!
  • é necessário sempre fonoterapia e psicologia Ele foi para a fono por causa da salivação e foi avaliado que ele não precisa de nenhuma fonoterapia e ele não foi encaminhado para a psicologa pelo centro de triagem
Agora me digam, se a criança tem, não precisa de terapias praticamente obrigatórias nesse diagnostico, só leva a crer que sou o máximo! kkkk

Vai chega de brincadeira...

A hiperlexia não explica o conhecimento dele por contas e nem a parte totalmente oral. Toda parte social nem nada. Depois de muito conversa com muita gente da área cheguei a conclusão que o relatório está errado!

Provavelmente ano que vem vou precisar fazer um novo, com outro teste( wisc) e pagar.

Mas acha que parou por ai? Não...

Depois desse laudo entrei em uma crise depressiva, só sabia chorar, Cogitei que eu estava sim inventando tudo, que eu era exagerada e que ele realmente não tinha nada de bom e sim uma "patologia".

Chorei demais. Assumi que era isso e que até ano que vem não teria como mudar.

Ai essa semana foram os preparativos para o aniversario dele( aeeee 4 anos!!) e  volta as aulas! 

Consegui conversar brevemente com a profissional da inclusão e ela também duvidou de muita coisa ali escrita no laudo. O que me acalmou um pouco, afinal ela convive com ele na escola o que pode ser totalmente diferente de estar comigo.

Na mesma noite estava arrumando as fotos para o aniversário e revi muita foto e fui lembrando do que ele fez no primeiro ano de vida e chorei novamente, soluçava sem parar, mas dessa vez não era de tristeza e sim de libertação.

Lembrar que ele levantou a cabeça já no primeiro banho com a enfermeira, vê-lo de bruços e se virando totalmente com 2 meses, sentado com 4 meses, ajoelhado com 5 e também tentando se levantar com essa idade, com 6 ficando de pé, andando( sim andando sem apoio), falando papá e mamã para cada um, engatinhando com 7 e andando seguro aos 8 entre outras coisas. Aquilo foi uma lufada de alegria. Via meu filho novamente, lembrava como ele sempre foi assim e não é a porcaria de um laudo feito desse jeito que acabaria com a força!

A sensação que dá e que quiseram dar um diagnostico mesmo sem certeza para não colocar como inconclusivo, o que sinceramente seria melhor...

Não vamos desistir de lutar, vamos manter com o trabalho em casa, o trabalho na escola e ano que vem tentamos novamente!


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Cuidado com as palavras!

Sempre que estou nervosa acabo soltando: eu vou sair correndo pelada!!!

Matheus sempre acaba rindo e com isso nos acalmamos. Até hoje...

Estávamos no quintal, eu fazendo um monte de coisas e ele pulando amarelinha. Implicou que queria pintar uma amarelinha naquele momento com tinta, disse que não, que já estava anoitecendo e naquele momento já estava em 15 graus.

Pronto! Começou o escândalo! Chorava que estava com saudades de pintar, que não tinha pintado nada hoje( só se fosse com tinta, porque lápis tinha pintado a tarde!) e não parava o choro e soltei a frase que abre o post!

Desencadeei uma crise pior ainda de choro, entrou em desespero, dizia que eu não podia sair correndo pois ele ficaria sem mãe, que ele não pode ficar longe de mim e por ai foi...

Aja papo para acalmar, explicar que era brincadeira, que era modo de dizer e por ai foi.

Vejo ele com o giz na mão escrevendo algo no chão e quando vejo a escrita levo um susto e começo a rir de nervoso, sim, pois eu tenho riso nervoso, quanto mais nervosa mais caio na risada!

O escrito? Bem deixo a imagem abaixo...


Descrição da imagem: foto de um chão com os dizeres "Mae voce não pode sair!" com desenhos de uma amarelinha ao lado
O que dizer? Como agir? Fiz merda sim ou com certeza?

Abaixo, olho nos olhos dele e falo novamente: Mamãe brincou, nunca vou sair correndo pelada, nunca vou te deixar sozinho, é modo de falar somente, não se preocupe....

Entramos, ele chorava de tempos em tempos, tomou banho e assim que saiu falou: Mãe, não saia correndo pelada, você vai ficar com muito frio! É ruim sentir frio. Concordei, não tinha mais o que falar...

Percebo que ele entrou na fase do concreto( não to falando em escrever no concreto hein???) e tudo agora é ferro e fogo...





terça-feira, 24 de maio de 2016

1381 dias ou Enfim o desmame!!!

Finalmente rolou o desmame! Tranquilo, gradual e praticamente natural....

Até o inicio do ano filhotinho acordava muito na madrugada, não via solução, achava que estava fadada ao eterno peito, quem sabe quando casasse ele pararia???

Ele quase não pedia o peito durante o dia, somente em casos que se sentia acuado ou para cochilos diurnos, que só ocorriam aos fins de semana

Um dia acordei as 4, camisola fechada, criancinha na cama, estranhei e voltei a dormir, as noites foram se seguindo e percebi que ele passava a dormir até as 5 da manhã direto, já me sentia o máximo e assim ele continuou por meses...

No inicio do mês, após uma semana de extremo caos( um grande salto de desenvolvimento), um dia de malcriação e estresse total cansei. "Durma sozinho! Se consegue desobedecer tanto consegue dormir sem peito!" Resmungou um bocado e dormiu. No dia seguinte amanheceu lindamente, o salto passou, era dia das mães! Conversei com ele, expliquei que ele conseguiu e conseguiria novamente se quisesse. Passaram os dias e ele passou a dormir sem o peito.

Em parte era ótimo, era o inicio do desmame, mas acabava que muitas vezes corria para fazer o jantar e quando voltava ele estava apagado, sem banho, sem escovar os dentes( a dentista pira!) e sem jantar...

Passaram os dias, até que dia 19 de maio de madrugada ele reclama que não tinha leite, opa, como assim não tem leite???? Acordamos e vou ver e realmente, sai quase nada e começo a falar com ele. Explico que o leitinho ta indo embora, que depois que ele passou a comer, brincar, aprendeu tanto, o leitinho viu que precisa ir cuidar de outros bebês que estão por nascer. Ele questiona se estava indo para o Lucca( filhotinho que vai nascer de uma grande amiga e professora do ano passado dele) e falo que sim, que logo ele vai precisar do leitinho da mamãe dele e não podemos deixar faltar o leite dele!

Ele acha o máximo, fica todo feliz. Até amanhecer o próximo dia...

Acorda, pede o peito, lembro do conversando do dia anterior, chora muito, chora sentido e dou. Falo para curtir que seria a última mamada, ele curte, acaricia e fala que não tem mais nada mesmo. Explico que não dá pra fazer igual chupeta, ficar chupando algo vazio, ele ri...

Passa o dia bem, agradece o peito o tempo todo, dá beijinho e abraço, diz que vai sentir falta.

Acorda dia 21, reclama quase nada e segue. Por ser sábado, dormia a tarde, pediu pra dormir e quando falei do colo nem reclamou, encostou e apagou, dormiu mais de 3 horas feliz!

Agora estamos bem, ainda pergunta do peito, sempre retorno a pergunta, ele ri e diz que foi embora.

Foi nossa alegria, ele precisava do leite materno, do aconchego, dei o que pude, sofri tantas vezes em silêncio para ele não sofrer. A vontade de fugir vinha e eu fechava as mãos para não correr e assim permaneci. Uma vez ouvi que jamais conseguiria desmama-lo. Hoje penso que só conseguiria quando ele estivesse pronto!

Hoje ele dorme muito rápido, algumas vezes no colo, quietinho, outras se joga na cama dele, vira para o lado e vai.

O meu medo era ele precisar de objeto de transição, respeito quem deu, mas não funciona para mim, lembro de muitas pessoas adultas que não se livraram do objeto! Me assusta isso! Ele não precisou( amém) e segue em paz

Como estamos? Eu radiante, feliz por conseguir cumprir o meu compromisso firmado assim que ele nasceu. O peito como foi progressivo, até agora não deu xilique, nada de dor. Ele beijoqueiro! Me agarra o tempo todo, me beija, me agarra, me beija, me beija, me beija...

Se valeu toda a batalha? Lógico! Vejo o pequeno feliz, forte, saudável. Nada do que falam sobre amamentação prolongada. Amamentem sempre, não deixe o mundo a sua volta dizer o contrario...

A última mamada!